quarta-feira, 25 de abril de 2012

PASSEIO – Das matas à beira do mar, em um Galope à beira-mar













Olhei para a estrada que leva pra longe,
Juntei minhas tralhas, peguei meu cantil,
Selei meu cavalo, amigo gentil,
Botei-lhe o arreio, presente de um monge,
Peguei sua ração, milho bom que ele ronge,
Partimos os dois – amizade sem par...
Por matas e rios, a brisa a saudar,
Rumamos em trilhas até o litoral,
Banhamos nas águas com gosto de sal,
Depois de um galope na beira do mar!

Eu vi meu país com suas lindas paisagens,
Imensas campinas, florestas, cascatas,
Planícies, colinas e o verde das matas!
Ao sol, o vapor desenhava miragens,
As flores sorriam em belas ramagens...
Vi tanta beleza que embarga o falar!
Ao leste, o convite do mar a encantar
E a fauna e a flora e a terra e a areia
E um povo que colhe o amor que semeia
...Galopa e passeia na beira do mar!

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domingo, 15 de abril de 2012

APERREADO

Vivo aqui aperreado,
Sem saber o que fazer.
Nesse mundo é arriscado
Conquistar um benquerer...
Pois a ‘muié’ que eu desejo
Só de longe me dá beijo
E ao ‘oiá’ nem pestanejo...
Corro o risco de morrer!

‘Oia’ bem o jeito dela!
‘Oia’ como ela se veste!
Aquela rosa amarela,
Igual tu nunca tiveste...
Tem um perfume gostoso...
Chega a me deixar nervoso,
Nervoso que nem a peste!

Naquela saia rodada,
Quando passa, dou suspiro...
Eita morena arretada,
Morena que eu admiro!
Mora na casa do fundo
Da casa de Zé Raimundo...
Ela é a mais linda do mundo
... Mas pertence ao Birobiro!


sábado, 14 de abril de 2012

ANÚNCIO PARA SECRETÁRIA


Tenho que arrumar uma secretária!
Ela tem que ser magra,
para ter disposição para fazer as coisas.
Mas, não pode ser muito magra,
para não fazer barulho com os ossos,
quando esbarrar em algo duro.
Tem que ser bonita,
para não espantar os fregueses,
mas não pode ser muito bonita,
para eu não me apaixonar.
Tem que ser alta o suficiente,
para alcançar os livros na estante.
Mas, não pode ser muito alta,
porque não quero ser sua bengalinha.
Por falar em bengalinha,
a secretária não pode ser
nem bem galo, nem bem galinha,
mas tem que saber andar na linha.
Tem que ser limpa,
para não trazer bactérias...
Ter um perfume suave de rosas
e deixar, lá fora, os espinhos.
Para contato, procure pelo Sr. Varão
(e, por favor, não confunda com pau de galinheiro)!

BURRO EM ABUNDÂNCIA


Amigo fui a um cartório,
Na cidade de Resende;
Foi mais triste que velório,
Quando nem vela se acende!
Indaguei (como um anônimo)
Pra registrar um pseudônimo,
Se aquele cartório atende.

O rapaz que me atendeu
Levou um susto danado!
Disse que não entendeu,
Olhou pra trás e pro lado,
Coçou a cabeça e o nariz
E eu acho que por um triz
Não foi ao chão desmaiado!

Falei então: Meu amigo,
Eu só quero registrar...
E ele: Concordo consigo.
Só precisa me informar
Qual o nome da criança.
Tenha toda confiança
Que nós vamos silenciar!

- Só quero, amigo, saber
Como registro um pseudônimo
(escrevi pra ele ler)...
E ele buscava um sinônimo
- o que o senhor quer é nome?
Falei: Não, nem sobrenome;
Você já vai entender.

Ele disse, ah, eu já sei!
É quando o nome é igual!
Também não é, eu falei,
Com paciência total...
Falei, não, isso é homônimo,
Mas o que eu quero é pseudônimo,
Nome fictício, irreal...

Tomado de outro espanto,
Perguntou-me: Nome o quê?
- Fictício !... E ele olhou pro canto:
Vou resolver pra você!
Voltou: Moço, num é aqui não!
Feitiço é religião...
Num é aqui, nada a "vê"!

Olhei pro céu e rezei...
Falei pra Santa Constância
Que em todo canto que andei
Nunca vi tanta ignorância!
Tive pena do Brasil,
Nação de um povo gentil
... E de burro em abundância!...

terça-feira, 10 de abril de 2012

HISTÓRICA RESENDE















Histórica cidade de Resende,
Da tua história perde quem não sabe
E, quando sabe, a ti logo se rende...
Não há quem te conheça e não se gabe!

Em tuas ruas tortas e ladeiras,
Na histórica Resende de outras eras,
Dormitam no passado das tuas eiras
Reais desejos, sonhos e quimeras...

Inda resistem velhos casarões,
(Ameaçados diante do progresso)
Onde há sombras d’amores e paixões,
A nos levarem juntos, de regresso!

Histórica cidade que transcende
Ao bucolismo em matas verdejantes...
Respira inda mais bela, ó tu, Resende!
... Pois te queremos linda, como dantes!


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AFAGO


Mudei-me pra cidade de Resende,
aqui a vida flui mais devagar.
Vê-se que a paz existe e aqui transcende
num sorriso, num rosto, ou num olhar!

É bom ver o perfil da Mantiqueira,
emoldurando um lado da cidade...
Lembro-me quando a vi, à vez primeira,
pensei: É um desafio à eternidade!

Do outro lado, não muito distante,
a Serra da Bocaina, outro gigante,
parece vigiar discretamente,

dizendo à brisa: Passe pelo Vale,
as folhas verdejantes beije e embale
e afague o Paraíba docemente...

sábado, 7 de abril de 2012

Bruma sobre o Paraíba do Sul


A bruma da manhã encobre o rio,
Em uma indescritível harmonia!
É cedo e todo o vale está com frio,
Ao suave ressurgir de mais um dia...

Olhá-la nos faz bem... É fascinante...
E dá-nos a vontade de tocá-la.
Parece evaporar-se... É flutuante...
Quem nunca a viu, não pode imaginá-la!

Raios de sol começam levemente
A desfazê-la, bem devagarinho,
E ela se vai, aos poucos, indo embora...

Vai... E amanhã cedinho, novamente,
Ela virá também, bem de mansinho,
E será linda... Linda como agora!...

CAUSOS DO COTIDIANO DE RESENDE


Moro numa bela cidade!
Me arrisco mesmo a dizer, bela em quase tudo!
Andando pelo interior, encontramos figuras lendárias,
folclóricas, espontâneas e muito simpáticas.
Hoje fui dar uma volta por algumas ruas.
Algumas com cerca de vinte metros muro a muro,
calçadas com quatro metros de largura,
tudo amplo e arejado,
belas casas com seus jardins floridos
e que nos mostram a amplidão de seus quintais arborizados.
Parei numa esquina, onde havia três senhores
que conversavam com outro que vendia frutas,
ali mesmo no quintal da casa, com cobertura e balcão apropriados.
Lá se encontra desde rapadura, pé-de-moleque, fubá,
legumes, até palmito pupunha, em meio a saborosas mangas, laranjas, bananas
mamão e cará (parente do inhame), este quase do tamanho de uma cabeça humana!
Enquanto eu escolhia o que comprar,
ouvia a animada conversa dos quatro velhos amigos, cabeças brancas,
sobre suas aventuras no passado, enquanto chupavam laranja.
Demorei a escolher, para ouvir o final de uma estória.
Já tinham falado sobre como evitar picada de cobras,
como curar o veneno, e falavam agora sobre onça.
Um deles contou que quase foi morto por uma onça pintada.
Estava no mato e, ao ver a dita cuja vindo em sua direção,
 pegou sua caixinha de munição, e disse:
“Agora, ou tu me come ou arranco teu couro, sua danada, pera aí”.
Ao abrir a caixa de munição, viu que havia levado a caixa errada.
Estava cheia de pregos de vários tamanhos, que guardava em sua sucata.
O medo crescia, à medida que a onça se aproximava, com o olhar fixo nele.
Rapidamente, ele subiu num galho de árvore, enquanto pensava o que fazer.
A onça rondava a árvore pacientemente, preparando a hora do ataque.
Sem outra opção, ele encheu a mão com pregos e os colocou no cano da espingarda,
como se fossem chumbo. Carregou com pólvora, bucha e aguardou.
Havia muitas árvores de tronco grosso, em volta.
Quando a onça passava justamente em frente a um desses troncos,
Ele disparou!
Como havia colocado muita pólvora, de tão “apolvorado” que estava,
houve muita fumaça. Mesmo assim, ele percebeu que o tiro só havia atingido a cauda da onça, e que ela tinha dado um grande salto.
Quando a fumaça se espalhou, ele viu uma cena inusitada:
Com o estampido, a onça se embrenhou no mato, mas...
Sua cauda ficou pregada no tronco daquela árvore, por dezenas de pregos,
deixando pendurado seu belo couro... Intacto!
E completou: Bem que eu avisei:  “ou tu me come ou arranco teu couro, sua danada”.
...................................................................
Depois dessa...
Paguei, peguei a compra e... Fuuui... Antes que começassem outra!

RESENDE VISTA POR QUEM VEM DE FORA



Morando em Resende há pouco mais de um ano, lembro-me que uma das coisas que me fizeram escolher esta cidade para morar, foi o verde exuberante que se via no que chamamos de retão de Resende. Imaginava eu, e assim o era, uma cidade muito arborizada, de clima agradável e calma. O retão, hoje, é “carecão”. Alguns dizem que o corte foi para evitar acidentes, outros, que foi para atender a interesses da empresa que administra a rodovia. Não sei quem tem razão. “Agora, Inês já é morta”. A cidade em si, tem sofrido agressões nesse sentido, mas, segundo informa a Prefeitura, as árvores que estão sendo cortadas são as que estão doentes e sem recuperação. Torcemos para que haja um pronto replantio, para o bem de todos.

Resende vem melhorando em alguns aspectos, desde que aqui cheguei. Entre eles, destaco o trânsito de veículos e a sinalização do tráfego.

Por outro lado, o sistema de saúde é muito precário! Neste caso, não se justifica o velho ditado que diz: “Males de muitos, consolo é”, considerando o sistema de saúde em todo o país. Infelizmente, é um mal de abrangência nacional. Mas, (aqui vai uma sugestão) se nosso prefeito, que também é médico, envidar esforços para tornar Resende um modelo nacional do bom atendimento à saúde pública, certamente conseguirá e marcará um grande feito na história não apenas da cidade, mas do país. Aqui há muitas indústrias de peso, que muito poderão colaborar para esse feito. Se não tentar, jamais conseguirá.
Outro aspecto, que começa a assustar, é o caso das drogas.

A única droga saudável é o remédio, mesmo assim, tem seus efeitos colaterais! A outra, que cresce em paralelo com o aumento da população, denigre a alma, fere o corpo, tira vidas... É um outro mal que cresce no mundo, infelizmente.

Hoje, ainda vejo a cidade com olhos de quem vem de fora. As comparações são inevitáveis. A entrada, próxima ao novo shopping, embora decorada com aquele paliteiro torto e desordenado e de péssimo gosto, nos sugere alguma modernização. Ainda há muito a fazer, como melhorar o transporte público, exigindo veículos novos e seguros (a maioria usa pneus carecas), eliminar os buracos e calçamento precário em muitas ruas, estender a ciclovia por toda a avenida que margeia o rio, cujo nome deveria ser avenida Beira-Rio, inclusive, retirando os dois quiosques que permanecem abandonados quase em frente à Prefeitura, criar um Mercado Municipal, asfaltar as estradas vicinais, além de continuar melhorando o sistema educacional e de formação profissional de jovens e adultos.

Torcemos para que, no próximo aniversário da cidade, possamos cantar parabéns com o prazer de ver o progresso, o saneamento e a saúde em franca ascensão!
Parabéns à Princesinha do Vale! 

CAMINHANDO NA BEIRA-RIO


São 8 da manhã e o sol já bate forte.
Faço um alongamento.
Desço pela escada, vou me aquecendo.
Bom dia, seu Modesto, tudo bem?
Seu Modesto, um dos porteiros, é um senhor negro, baixo, meio atarracado e meio careca.
Gente boa, o seu Modesto.
Ele fala do vinho que lhe dei: “Ó, muito legal, viu? Muito bom!
(fazendo sinal de OK com o polegar)
Minha senhora fez lá um peru assado no vinho
- ela gosta de fazer essas coisas, né?
Ficou... oh!...Legal!...  Brigado, tá?”
De nada, seu Modesto, deixa eu ir, um abraço.
O céu está azul, com algumas nuvens decorando o topo da Serra da Mantiqueira.
Cinco minutos andando e já estou na Beira-Rio.
Bom dia! (Aqui, a maioria das pessoas se cumprimenta).
Sigo pela sombra das árvores,
árvores frondosas que margeiam o rio,
enquanto ele desce soberbo, banhando a cidade.
São pés de ingá, jamelão, pitanga, goiaba, manga,
gameleira, quaresmeira, ipê roxo, ipê amarelo e outras tantas que não sei.
Pequenas pontas de galhos se espalham pela calçada, resultado do granizo de ontem à tarde.
Já vejo as duas senhoras, que varrem, todos os dias.
Estão varrendo de lá pra cá.
Quando as cumprimento, respondem prontamente,
com entusiasmo.
Um cumprimento pode ser um alimento para a alma.
- Olá!
Esse olá foi para uma moça bonita, de óculos escuros, rabo de cavalo (o do cabelo, não o dela).
Essa sempre fala comigo.
Muitas pessoas caminham aqui, outras preferem o belo Parque das Águas, ao lado.
Algumas falam com a gente,
outras fingem que não estão vendo,
talvez por timidez, ou por ignorância mesmo.
Há uma velhinha, que também não fala com ninguém, e caminha todos os dias, rezando o terço!...
Será que reza mesmo?
- Ôpa, tudo bom?
Não foi pra ela, não.
Foi para um camarada, que também não sei o nome,
mas sempre que passa, cumprimenta a todos.
Passo agora perto da minha árvore predileta!
Não sei o nome dela.
É bastante alta, com muitos galhos robustos,
que se estendem sobre o rio.
Um dia ainda vou contar quantos galhos ela tem.
Deve ser centenária, a julgar pela imponência e tronco de mais de um metro de diâmetro.
- Oi, tudo bem?
Não, hoje ele não veio. Agora é minha vez.
Não dá pra andar com ele muito rápido,
ele pára toda hora pra cheirar, fazer xixi... tchau!
É uma moça e seu cachorrinho.
Ela perguntou pelo Billy, nosso miniatura pinscher.
Acho que ela aprendeu comigo,
pois está levando um saquinho plástico!
Algumas pessoas são tão caras-de-pau,
que trazem os cachorros para caminhar e fazer cocô,
sem sequer se preocuparem com a sujeira.
Estou tentando impor novos hábitos...
E estou conseguindo.
Vou voltar daqui, já cheguei ao final da calçada.
Vou até a outra ponta.
Mais uns 20 minutos e eu chego lá.
Bom dia, iiiiiih!, não respondeu!!!
É assim mesmo.
Algumas mulheres caminham como se estivessem sozinhas,
só olham pra frente, nariz empinado, bunda arrebitada... Se acham! Fazer o quê, né?
Se eu fosse o Brad Pitt, aposto que olharia pra mim e daria o maior sorriso!...
Ôpa, caraca! Dei uma ligeira tropeçada.
É que eu olho para todos os lados,
apreciando a natureza e, claro,
as beldades que passam,
as árvores que ficam,
os pássaros que cantam,
que voam, esvoaçam,
chicoteando o espaço...
O rio que desce...
Os patos d’água que nadam, fazendo barulho,
as garças, em voos rasantes sobre a água...
Um galo que canta do outro lado do rio...
Os sabiás que cruzam a calçada, quase se deixando pisar...
Sanhaços e canarinhos da terra, a colorir o lugar...
Se fosse na primavera,
haveria também os ipês floridos para se ver.
“BiBi”... Passa um carro e buzina.
Olho, porque a buzina chama atenção.
Ah!... Mas vejam pra quem foi a buzinada!...
Para uma garota que passou correndo,
de bonezinho, óculos escuros e aquele bumbum arrebitado!
(Não é aquela, não. Essa é apenas mais uma...)
Ôps! Outro tropeção!
Alguém deve ter dito “bem feito!”
Em meio à sinfonia de inúmeros pássaros,
à brisa refrescante e ao belo visual,
continuo caminhando...
Já se passaram 45 minutos.
É hora de voltar. Até em casa, mais uns 5, tá bom.
Amanhã, estarei aqui de novo, caminhando,
vendo as belezas do lugar,
e sempre desejando que as pessoas que eu gosto
estivessem também aqui, caminhando comigo.
Por hoje, vou encerrar o meu monólogo,
ou, como diria aquela loira falante,
o meu “diálogo solitário”
Tchau!